sexta-feira, 9 de março de 2012

ORGANIZAÇÃO DOS CASTANHAIS NA RESEX ITUXI SEGUE SEU RUMO


Lábrea, 08 de março de 2012

O mapeamento dos castanhais da Reserva Extrativista do Rio Ituxi, que fica na região de Lábrea, no Amazonas, que no ano passado ficou impossível de ser inventariado por conta do regime hídrico, será feito nesses três meses, até maio. Esse trabalho, feito sob a supervisão do Núcleo de Gestão Integrada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (NGI-ICMBio), é que vai subsidiar o manejo da castanha pela comunidade.
“Nessa época do ano será possível visitar importantes áreas de produção de castanha que não pudemos visitar anteriormente como o rio Curequetê, o alto Siriquiqui, o igarapé dos Perdidos e o Vamos Ver”, disse Valdeson Vilaça, técnico do Instituto de Desenvolvimento do Amazonas (Idam), parceiro do ICMBio nessa empreitada, juntamente com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB) e a Associação de Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi (Apadrit).

O mapeamento será realizado por meio de entrevistas com os castanheiros e visitas aos piques de castanha utilizados por cada um deles. Além dos dados pessoais dos extrativistas, serão levantadas informações quanto às coordenadas geográficas, situação de uso dos castanhais (em uso ou abandonados), número de castanheiras e potencial produtivo estimado.

O levantamento servirá também para a mediação de conflitos existentes na área da unidade de conservação (UC), uma vez que a criação da Resex atenuou os tradicionais conflitos entre patrões e castanheiros, mas gerou novos conflitos entre moradores e usuários. “Estamos sendo diariamente requisitados para mediar conflitos entre castanheiros que residem na unidade de conservação e aqueles que se mudaram para a cidade e mantiveram as suas áreas de coleta de castanha. Os dados do levantamento serão indispensáveis para estabelecer acordos”, afirma Leonardo Pacheco, gestor da Resex do Rio Ituxi.

Coleta do fruto

Com a safra da castanha, os moradores da Reserva Extrativista Ituxi vêm se dedicando à coleta do fruto, um dos principais produtos da UC. O trabalho envolve uma complexa operação. A maioria dos castanheiros chega a navegar até 12 dias para alcançar os castanhais localizados nas cabeceiras dos três principais rios da reserva: Siriquiqui, Punici e Curequetê. Lá permanecem durante os quatro primeiros meses do ano.
“Algumas comunidades ficam totalmente desertas durante essa época. Todas as famílias se deslocam para o alto dos rios”, explica Silvério Pessoa, tesoureiro da Associação de Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi e morador da comunidade Floresta.
Desde a criação da resex em 2008, a rede de parceiros que trabalha na UC investe em importantes aspectos da cadeia produtiva da castanha devido à importância econômica do fruto para os moradores locais. A melhoria da qualidade da castanha através da adoção de boas práticas de coleta e manuseio de frutos e sementes são exemplos desses investimentos.

Capacitação dos castanheiros

Da última safra para cá, o ICMBio, em parceria com o Idam, o IIEB e a Apadrit, trabalha na capacitação dos castanheiros e em boas práticas de manuseio desde a última safra. A estimativa é que cerca de 150 extrativistas já tenham sido capacitados. “É preciso agora fazer um monitoramento para entender os principais desafios da adoção das práticas pelos castanheiros”, afirma Francisco Monteiro Duarte, vice-presidente da Apadrit.
O emprego das boas práticas evita a contaminação e proliferação de fungos produtores de aflatoxinas, substância cancerígena encontrada em sementes em geral. Atualmente, uma barreira fitossanitária estabelecida pelos países da Comunidade Européia impede a entrada de sementes com alto teor da substância, o que reflete diretamente no preço pago aos produtores pela castanha.
Como o armazenamento e secagem das sementes possui um papel fundamental para evitar a contaminação por fungos, o ICMBio, por meio do Projeto PNUD/BR 823, apoia também a construção de um paiol e um secador de castanhas na área da reserva extrativista.
As estruturas estão sendo construídas em locais estratégicos da unidade de conservação de forma a atender o maior número de castanheiros possível. Além disso, as comunidades entraram com a mão de obra necessária para a construção das estruturas.
“As principais demandas das comunidades da Resex estão relacionadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da castanha. Temos nos empenhado em responder a essas demandas da melhor maneira possível”, diz Andrea Ximenes, gestora da Reserva Extrativista Ituxi.

FONTE: Site Lábrea News

sábado, 3 de março de 2012

Sul de Lábrea URGENTE - assentados ameaçados por pistoleiros

Manaus, 03 de março de 2012

Nilcilene Miguel de Lima, líder rural ameaçada de morte por grileiros e madeireiros do sul do Lábrea ( Amazonas), fala sobre as ameaças que continua recebendo mesmo depois da chegada da Força Nacional. Desde que ganhou a escolta, as famílias próximas à líder passaram a ser ameaçadas e tiveram que deixar suas casas. A escolta, provisória, deve ser retirada nos próximos meses. No começo de março, Nilcilene encontrou seu cachorro morto diante de sua casa com um trio na cabeça.





Veja onde ocorre o conflito:
 Localização exata do PDS Gedeão:    9°45'45.90"S (Latitude) e  66°53'8.99"O (Longitude)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ibama dá início a monitoramento aéreo no sul do Amazonas com a Operação Toruk

Manaus, 23 de Janeiro de 2012


O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) iniciou há uma semana uma operação aérea de monitoramento nas áreas de maior pressão de desmatamento no sul do Amazonas. A operação, desencadeada pela presidência do Ibama, também acontece no Mato Grosso, Pará e Rondônia.
A operação foi batizada de Toruk, em referência ao pássaros gigantes do filme “Avatar”, de James Cameron.
O chefe de fiscalização da superintendência do Ibama no Amazonas, Jérfferson Lobato, disse que a operação de monitoramento no sul do Estado tem o objetivo de identificar desmatamento que poderá ocorrer no período da chuva.
“Geralmente, o desmatador derruba tudo para queimar depois, na época do verão. O que estamos fazendo é trabalho de campo para ver se já há indícios de desmatamento para que evitar que o crime aconteça”, disse Lobato.
Conforme o chefe de fiscalização, a operação iniciada na semana passada também vai monitorar a situação das áreas embargadas ano passado. A intenção é verificar se atividades ilegais foram retomadas nestas áreas.
Até o momento, sobrevoos já foram realizados em áreas do município de Apuí, Canutama e Humaitá. Também estão sendo monitoradas a Terra Indígena do povo tenharim e a área do distrito do Santo Antônio do Matupi, conhecido como “180”, localizadas na rodovia Transamazônica. A operação abrangerá ainda as regiões de Novo Aripuanã, Lábrea, Boca do Acre e sul de Maués.
“Por enquanto está tranquilo. Ainda não vimos desmatamento ilegal, mas vamos continuar com a operação o ano todo”, disse.
Lobato também incentiva as pessoas informadas sobre indícios de desmatamento a entrarem em contato com o Ibama por meio do Linha Verde, que pode ser acessado pelo número 0800618080 ou pelo email dicof.amazonas@gmail.com. Não é preciso se identificar.

Reportagem de Elaíze Farias, do Jornal a Crítica


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Manejo de pirarucu na RDS Piagaçu-Purus e beneficia 83 famílias do interior do Amazonas



No final do ano de 2011, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), por meio do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), apoiou o manejo realizado pelos pescadores das comunidades de Pinheiro e Nossa Senhora do Livramento (Lago do Ayapuá) e comunidades Cauã/Cuiuanã, todas localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, e comunidades da Vila do Itapuru, localizada na área de entorno. A ação contabilizou 241 espécies manejadas, aproximadamente, 11,3 toneladas de pirarucus, envolvendo 83 famílias, com uma renda de R$ 56.231,49 ao ano/famílias. Importante ressaltar que o processo de manejo na área iniciou pelos moradores da comunidade de Itapuru, onde moram 90 famílias. A partir desta iniciativa e com o apoio do Governo do Amazonas por meio da SDS/Ceuc, a atividade se estendeu para as comunidades que moram dentro da Reserva, envolvendo e beneficiando 83 famílias, viabilizando uma renda extra no final do ano de 2010. Com o dinheiro advindo do manejo, as comunidades de Itapuru e Cuiuanã adquiriram recentemente flutuantes para auxiliar na vigilância dos lagos.



 “Os moradores das UCs são os maiores parceiros do Governo do Amazonas. É a partir do conhecimento tradicional aliado ao conhecimento científico que o manejo do pirarucu ocorre. Essa é a melhor alternativa para a sobrevivência da espécie”, ressalta Nádia Ferreira, titular da SDS. Tendo em vista a abundância de pirarucu na região, as comunidades solicitaram autorização ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e ao Ceuc, que liberaram a despesca. A primeira despesca, realizada em 2010, somou 127 pirarucus manejados da região, o que possibilitou a realização da segunda despesca na RDS. A atividade proporcionou ainda um intercâmbio entre os moradores das comunidades citadas acima, com moradores de Unidades de Conservação Federal localizadas na Calha do Purus (Resex Médio Purus, Resex Ituxí). A ação contou com o apoio financeiro do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), por meio Programa de Desenvolvimento Local Sustentável (PDLS), e a parceria do Instituto Piagaçu-Ipi (IPI). Além dos técnicos da SDS/Ceuc, participaram ainda representantes das aldeias indígenas Paumari da região de Tapauá, através da parceria com a Opan, a Prefeitura de Canutama, além de moradores da Reserva de Extrativismo (Resex) Canutama, Floresta Estadual de Canutama. De acordo com o chefe da UC Floresta Estadual de Canutama, Altemar Lopes, esse intercâmbio possibilitou o conhecimento das técnicas necessárias para essa prática, “gerou uma gestão participativa e se revelou como uma oportunidade de resolução de conflitos aos que apresentam interesse em manejo de pirarucu”.

Contagem do pirarucu

Durante a contagem do pirarucu em uma canoa, ou à margem do lago, o pescador observa por 20 minutos uma área delimitada em até 50 metros de raio, seu campo de visão, assinala em uma ficha quantas vezes o peixe subiu para respirar nesse intervalo. Um adulto (mais de 1,50 m) respira uma única vez em 20 minutos, ao contrário de um pirarucu jovem, que vem à superfície duas vezes. Essa diferenciação permite aos comunitários saber quantos peixes existem no lago e, conseqüentemente, quantos eles podem pescar.

Modelo de desenvolvimento

O manejo de pirarucu RDS Piagaçu-Purus em 2010 serviu de exemplos para outras comunidades, uma vez que, em 2011 o numero de setores que realizaram a despesca de pirarucu aumentou dentro da reserva. “Os comunitários demonstraram mais interesse em preservar os lagos e as riquezas existentes na Unidade de Conservação”, diz Ana Claudia Leitão, chefe da RDS Piagaçu-Purus, ressaltando que a atividade vem ajudando os moradores na geração de renda e também numa maior conscientização ambiental, promovendo assim, a conservação da biodiversidade e a melhoria na qualidade de vida das comunidades que estão dentro dessa RDS.

RDS Piagaçu-Purus

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus foi criada pelo Decreto 23.723, de 5 de setembro de 2003, incorporado a APA, Lago do Ayapuá do Médio Purus. A Unidade de Conservação ocupa uma área de 809.268,02 hectares. A pesca, a agricultura, a caça e a extração de produtos madeireiros e não-madeireiros são as principais formas de sobrevivência das populações da região. O comércio é praticado por via fluvial e 60% do pescado é consumido em Manaus vem do rio Purus. Dos produtos florestais a castanha é um dos que se destaca. A área tem grande potencial para o ecoturismo por suas belezas naturais, como os grandes dormitórios de aves aquáticas em vários lagos de várzea.

fonte: site Amazonas Notícias e IEB escritório de Lábrea
fotos: Rosibel Rodrigues e Benedito Clemente